
Temos na tirinha acima um dialogo entre as personagens Mafalda e sua melhor amiga, Susanita. Nesse diálogo são apresentados posicionamentos ideológicos distintos entre as personagens que interagem através da comunicação verbal, face a face. Nos primeiros quadrinhos, Susanita conta à Mafalda seus planos para o futuro: casar, ter filhos, comprar uma casa grande, carro bonito, joias e ter muitos netinhos, concluindo de que a vida dela assim será muito linda. Mafalda, que até então apenas ouvia o que era dito pela amiga, expressa sua opinião contestadora ao discurso proferido por Susanita, dizendo que é lindo, porém tem um defeito, que o que a amiga almeja para o futuro não é exatamente futuro, mas um fluxograma, um esquema de um processo natural, que corresponde a um processo de reprodução de um modelo de vida ajustado a uma formação discursiva que reflete a ideologia da classe dominante.
Desse modo os discursos das personagens mostram um conflito de ideologias, no qual a construção da identidade feminina se dá de diferentes maneiras, ou seja, os sujeitos como construtores sociais, interagem entre si e expõe diferentes visões de mundo. Mafalda caracteriza-se como uma nova representação feminina e dá vida a uma formação discursiva em que a mulher objetiva discutir os problemas sócio-politicos e culturais, buscando então revolucionar o papel da mulher na sociedade em que vive, diferentemente de Susanita que almeja seguir um esquema arquitetado para ser o mesmo de algo já recorrente, estando em conformidade aos apelos de uma ideologia de base masculina e capitalista, modelo de submissão feminina imposto pela sociedade que delimita regras da conduta comportamental.
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